Prestações Artísticas

Na sua primeira aparição pública, na Festa de Santo António de 1868, a Filarmónica de Covões cantou missa e acompanhou a procissão. Esta primitiva vocação para a solenização das festas religiosas manteve-se ao longo do seu século e meio de vida, tendo sido rapidamente complementada com outras vertentes de prestação artística, designadamente ofícios fúnebres, arraiais, arruadas, despiques, batizados, casamentos, formaturas de jovens diplomados, receções a soldados regressados de campos de guerra, homenagens a personalidades e outras situações festivas comunitárias ou familiares.
Foram estas variegadas componentes que conferiram à Filarmónica de Covões a versatilidade que sempre a caraterizou e que o trabalho que está a ser desenvolvido pretende, não apenas manter, mas reforçar de modo sensível. De entre elas, salientam-se:

Concertos

Os concertos realizados pela Filarmónica de Covões, quer em sala de espetáculos, quer em contexto de arraial, assentam numa consistente execução coletiva e no aproveitamento do talento de jovens solistas com sólida formação. Abrangem um repertório criteriosamente selecionado, que acolhe os mais diversos géneros musicais, garantindo a satisfação do público de todas as gerações e de todos os estratos culturais.

Preservação de tradições

A Filarmónica de Covões distingue-se igualmente pelo cuidado que coloca na preservação das tradições das localidades onde presta serviço, integrando, com a maior fidelidade, estas referências culturais nas suas atuações.
De igual modo, são inúmeros os hinos aos padroeiros de localidades onde a Filarmónica atua, compostos expressamente pelo seu Maestro.
A estes, acrescentam-se composições da autoria do Maestro, com letras que traçam a riqueza histórica e cultural das próprias localidades, e que as populações assumem como sendo os hinos das suas terras.

Arruadas

As arruadas constituem uma das mais antigas e tradicionais componentes das festas populares e das intervenções das Bandas Filarmónicas. Pelas suas caraterísticas, constituem um exercício particularmente exigente, e em muitas circunstâncias penoso para os executantes, razão pela qual é crescente o número de Filarmónicas que tendem a renunciar a esta tradição. Em contraponto com esta tendência, a Filarmónica de Covões pretende contribuir para a preservação dos costumes de cada localidade, a eles se adaptando, sem adulterar o seu espírito.

Celebrações religiosas festivas

A Filarmónica é reputada pela qualidade das suas prestações em cerimónias religiosas (missas festivas, procissões, funerais, celebrações de quaresma e de finados,…). Dela resulta o facto de, recorrentemente, inúmeros párocos manifestarem às Comissões de Festas e Fabriqueiras das Igrejas a sua preferência pela Filarmónica de Covões para este género de solenidades.

Cerimónias fúnebres

A Filarmónica de Covões é chamada a intervir anualmente em dezenas de ofícios fúnebres.
A vocação da Filarmónica para a solenização deste género de celebrações nasceu do hábito de tributar reconhecimento àqueles que em vida se lhe dedicavam, prestando-lhes homenagem aquando do falecimento, designadamente no acompanhamento da urna ao som de marchas fúnebres. Daqui resultou o facto de o seu repertório continuar a incluir peças específicas para ofícios lutuosos, sobretudo funerais e celebrações de finados. Nestas últimas a execução instrumental acompanha os cantos interpretados em latim pelo coro dos elementos da Banda.
Os ofícios de exéquias constituem, por força da História, uma parte importante do património musical e cultural da Filarmónica de Covões, cujas caraterísticas peculiares o têm tornado objeto de estudo por etnomusicólogos. A título de ilustração, refira-se o caso da Doutora Catherine Brucher, da Universidade de Michigan (EUA) que, na sua tese de doutoramento, apreciou o caso específico da Filarmónica de Covões.